segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Sem fim, sem nome

Estavam transando sem nenhum método contraceptivo. Ela nem teve um orgasmo. Ele sim. E gozou dentro dela. "Não! Não é possível!"
Um filho naquela hora era tudo o que não queriam ter. E houve. Existiu. Souberam que ele viria semanas ou meses depois, não sei.
Mas foi isso. Esperam longos nove meses até que a nova criatura viesse ao mundo. Veio. Nasceu? Apenas saiu de onde nunca devia ter entrado. Saiu de um lugar e entrou numa enrascada. Sem culpa, sem querer.
O resultado viria anos mais tarde. Tudo que entra, sai. De qualquer maneira tem que ser. É lei da física. Se não existe, acaba de ser criada. Opa! Espere um pouco aí. Não, não. Por instante cheguei a pensar que essa lei fosse infundada. Realmente, tudo que entra sai. Saiu. Fugidio, temeroso e chorão. Seria assim na fase adulta?
Uma planta cresce desde que reguem suas raízes. Assim é um ser. Só cresce desde que reguem seus sentimentos. Ficou meio sedento. Pobre alma. Que trágico. Sem culpa, sem querer. Denovo a lembrança de esquecer  que não se pode lembrar. A explicação é obvia. Não tem discussão. Saiu, entrou, saiu. Veio ele. Ali está. Aqui está. Aqui estou. Sem meio. Sem nexo. Sem nome, sem fim. Diariamente um pedaço acrescentado. Por que pede explicações? Isso não se explica. É aceitável! Não questionável. Somente. É e pronto. Conviver com as diferenças. Indiferenças, jamais. Batalha sangrenta, luta diária contra a sobrevivência. Isso mesmo. Sobreviver é muito difícil! Então, que seja melhor lutar contra; e ser a favor de viver, somente. Ainda seguirão muitos caminhos...